6 de agosto de 2014

COACHING PRÁTICO – fundamentos, características e Métodos /Scotton, A., Salício, C. e Gonzales, F. - Clube dos Autores – São Paulo, 2014.

Coaching uma palavra utilizada na Inglaterra, nos tempos medievais, para designar o condutor da carruagem, cocheiro. Na década de l970, Timothy Gallwey, um treinador de tênis da Universidade de Harvard, nos EUA, publicou um livro “The inner game of tênis” – O jogo interior do tênis – com uma teoria em que, para superar o adversário de fora, primeiro há que se superar o adversário interior, nascendo aí o conceito moderno de Coaching, que posteriormente nos anos 80 do século passado abriria uma vertente para o coaching empresarial.  É um processo (treinamento) que se utiliza de recursos e técnicas de várias ciências a conduzir a pessoa ou grupo a atingir necessidades como metas, solucionar problemas e desenvolver habilidades. Os autores são de formações diversas dento da área de psicologia, pedagogia e teologia. Para eles “sonhos não envelhecem”... “resgatar um pouco desta esperança, deste sonho e desta magia é tarefa também do coach, jamais vendo o seu cliente (coachee) como um mero recurso humano". Então, coaching é o processo, coach o treinador e cochee aquele que recebe o treinamento. É um dos livros mais completos sobre o assunto publicado até o presente. Para adquiri-lo acessar WWW.clubedeautores.com.br  

5 de junho de 2014

NÃO DEIXE PARA DEPOIS O QUE VOCÊ PODE FAZER AGORA - dicas práticas para organizar seu tempo e se tornar mais produtivo / Rita Emmett. – Rio de Janeiro: Sexante, 2008.




Confesso! Não sou próximo a livros de auto-ajuda ou mesmo auto-estima como se intitula este. Não que eu ache uma perda de tempo em lê-los, mas trata-se de trabalhos comerciais utilizando-se de vários matizes da psicologia, pedagogia, psicanálise, dentre outros, para alcançar um mercado editorial envergonhado de frequentar as Igrejas Neo Pentecostais que abordam de maneira ‘magistral’ o mesmo tema. Sempre estamos sendo presenteados com esse tipo de livro, eis aqui um caso a mais. Aqui um fato chamou-me a atenção. É que o poema conhecido pelo nome de ‘Instantes’, atribuído a Jorge Luis Borges, presente na contracapa de cardápios de uma infinidade de bares e restaurantes brasileiros,


‘Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido;
na verdade, bem poucas pessoas levariam a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu
sensata e produtivamente cada minuto da sua vida.
Claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feito a vida:
só de momentos - não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma
sem um termômetro, uma bolsa de água quente,
um guarda-chuva e um pára-quedas;
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo’



como autoria de Nadine Stair, poetiza americana de Louisville, Kentucky. Sobre a autoria de Borges referencia-se Maria Kodama, viúva do poeta e editora das suas obras, diz, no prefácio do volume “Borges en la Revista Multicolor”, um livro improvisado que inclui textos de Borges e outros a ele atribuidos: “O mais incrível é que as mesmas pessoas que não aprovam a publicação de três obras inéditas de Jorge Luiz Borges {“El Tamaño de mi Esperanza”, “El Idioma de los Argentinos” e “Inquisiciones”], nada fizeram, diante do poema “Instantes”, da escritora norte-americana Nadine Stair, atribuído falsamente – creio que por ignorância – a ele. Essas pessoas – repito! - nada disseram sobre o estilo ou o conteúdo desses versos, apesar da linguagem infantil que neles é empregada e apesar do conteúdo que desdiz totalmente todos os princípios que Borges sustentou até o fim da sua vida. “Chegou-se ao horror de ler e estudar, em instituições oficiais, esse poema sem nenhum valor literário, atribuindo-o a Borges.” Outro detalhe é que ‘em 1976, Borges tinha 77 anos. Por que razão diria “faz tanto tempo”, referindo-se a um poema “escrito” aos 85? Ou, admitindo-se que exerceu aí o papel de um poeta fingidor – como somos - todos os poetas – e escreveu um poema na primeira pessoa, mas “sobre” alguém que teria os 85 anos que ele não tinha’. Na pesquisa encontrei outros supostos autores desses versos, porém, me ative ao Borges e a Nadine. E assim, muitos são os livros, textos e poesias com autorias negadas. 

27 de maio de 2014

CRIMES QUE ABALARAM O BRASIL / organização George Moura e Flávio Araújo, reportagens de Marcelo Faria de Barros e Wilson Aquino: - Editora Globo, 2007.


Sobre o trabalho levado a efeito pela rede Globo de Televisão, no programa Linha Direta, apresentado pelo jornalista Domingos Meireles, foram selecionados sete crimes de grande repercussão na imprensa e, consequentemente, na sociedade brasileira. O crime da mala, O caso dos irmãos Naves, O crime de Sacopã, A fera da Penha, Dana de Teffé, Caso do Chico Picadinho e O mistério do desaparecimento de Carlinhos, onde procurou retratar traços do comportamento humano, ao tempo em que, de forma romanceada revela ineficiências e influências nas esferas policiais e judiciárias no Brasil; a fragilidade e incompetência do ‘modus operandi’ dessas instituições, levando a uma reflexão sobre a necessidade de mudanças nos ritos investigatórios, processuais e de execuções penais. 

24 de maio de 2014

CALEIDOSCÓPIO / Sebastião Lázaro Henriques: - Editora Kelps, 1995.

CADEIDOSCÓPIO / Sebastião Lázaro Henriques: - Editora Kelps, 1995.

Poetar é colocar para fora as angustias, desditas, amores, menos prazeres e mais dores. Poetar é falar dor alheia como se fosse sua. Poetar é brincar com as letras na construção de palavras, destas na construção de frases adornadas de rimas e aliterações. Poetizar é tratar com sensibilidade, leveza, carícia e delicadeza as coisas do mundo.  Na coletânea de poemas que compõe a obra o autor poetou ao tempo em que poetizou. No momento em que esse gênero literário vai se distanciando abrindo espaços outras categorias, nos enche de prazer encontrar alguém que procura fazer das rimas e versos o seu escrevinhar. O livro me chegou por acaso através de uma participante do Congresso das APAES realizado neste ano de 2014. Livro lido num só fôlego como diziam os antigos. Uma pequena mostra do poeta.

FOME

Eu não sei dizer exatamente
A nascente do meu estranho nome
Talvez prá me fazer diferente
Ou talvez, prevendo a minha fome!

Sou Zé Faminto da Silva e Oliveira
Nascido e criado ao norte de “Fartura”
E o engraçado é que a desgraça certeira
Era á única abundante nessa terra dura.

Casei, vieram filhos, filhos e filhos mais
Rosa, Violeta, Rosinha e Margarida
Tantas flores a viver seus finais
Na falta de pão, de esperança e de vida!

E se foi a primeira, a segunda, a terceira
A cantar com a morte a toada da partida
Fiquei só, a esperar a foice ligeira
Do fim, e a agonia de se fazer mais sentida.

Eis que então tomei de meu meio, único, final.
E matei a fada da miséria em meu magro peito
A você que lê meu escrito, não me julgue mal
Eu me fui, somente por não haver mais jeito.

Peçam perdão, por mim, junto aos meus
Fui forte, excedi a força dos Homens
Mas cansei, fui me encontrar com Deus

Assino e me desculpo, Zé Faminto – Agora sem fome!!!

22 de maio de 2014

CURIOSIDADES DE PIRENÓPOLIS / Arivaldo Pereira da Silva: Pirenópolis. Editora Serra Dourada.

O autor faz um registro do que ele denomina de ‘fatos e história reais’ ocorridos na cidade e no município entre os anos de 1880 a 1980 escolhidos criteriosamente, onde ao final de cada um deixa um comentário ressaltando o bom senso e a sabedoria. Deixa de citar os nomes dos protagonistas alegando questão de ética e evitar ferir sensibilidades, o que deixou a obra meio que sem tempero. São relatos interessantes, identificados com o período e o interior do país, dos quais destacaria: Defunto também fala Remédio para dor de dente, Boiadeiro de galinha, O tempo parou, Arte culinária, Aposentadoria animal, Botija de ouro, Suicídio por amor, Incógnita, Falsificaram o m eu produto. Encerra o livro com alguns Provérbios, Definições e Pensamentos. Um livro singelo, mas que vale pela observação na folha de rosto: parte da renda comercial deste livro será destinada à Creche Benedita Ester da Silva e Asilo São Vicente de Paula de Pirenópolis.

Luiz Humberto Carrião.

21 de maio de 2014

VOCÊ É JOVEM, VELHO OU DINOSSAURO? – descubra com este livro / Ignácio Loyola Brandão; ilustrações Camila Mesquita. – São Paulo : Global, 2009.

O livro de Loyola Brandão descreve o sabor e cheiro da infância da geração SEX. Mas não esse SEX que imediatamente lhe veio à cabeça - SEX de sexagenária. Na capa uma observação do autor: ‘Testes para saber se sua memória é uma coisa, mas suas lembranças podem ser outras, mostrado que você é mais jovem, mas também pode ser mais velho do que se imagina’. Esses testes são dispostos de maneira tal à geração SEX, que orienta o caminho da lembrança através das ruas, bairros, cidades, estrutura familiar, o rádio, o surgimento da televisão com seus comerciais, novelas e programas de auditórios; artistas, jornalistas, cantores, cantoras, bares, boates, lambretas, carros de luxo como o Simca Chambord; serenatas, brincadeiras dançantes nas tardes de domingo; moda, comidas e aperitivos, cigarros, enfim, um traço do que viveu essa geração. A última frase do livro: ‘Acha que este livro poderia se chamar Those where the Days?’. Imediatamente recorri à dedicatória que respondia: ‘Carrião, na verdade somos todos vividos. Abraço amigo (rubrica Ignácio Loyola Brandão) 30/4/14.    

Luiz Humberto Carrião

14 de maio de 2014

UTOPIA - o discurso e a prática \ Elder Rocha Lima - Brasília : Verano Editora, 2008.

Dentre os homenageados na 6ª FLIPIRI - Festa Literária de Pirenópolis - Elder Rocha Lima - arquiteto, pintor, desenhista, crítico de arte, artista gráfico, escritor e professor. Assim que levei o livro para o autógrafo disse: ”esse foi o meu primeiro livro, não gosto dele”, com um olhar querendo dizer: escolha outro. Foi então que respondi que o escolhi, exatamente, por ser o primeiro, toda a pureza de sua alma deverá estar condita nele. E está. Um livro onde a utopia é admitida, como o próprio autor relata, “uma proposta de vida alternativa, na qual rompemos com regras e princípios vigorantes e, mais ainda, se as utopias não são novas regras que forçosamente devam ser adotadas, são, pelo menos, experiências ou simulacro delas, merecedoras de estudo e meditação”. O autor ‘navega’ pela Esparta de Licurgo, República de Platão, Utopia de Thomas Morus, A Cidade do Sol de Campanella; pelos rotulados de socialistas utópicos, Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen; Etienne Cabet, autor de “Viagem a Icária” onde expressa claramente a influência de Morus; Ebenezer Howard, Le Corbusier, Frank Lloyd Wright que o autor os enquadra no que chamou de “Utopias Urbanísticas”. “Terra de Eldorado” que inspirou intelectuais europeus, como Francois Marie-Arouet, conhecido por Voltaire, a quem o autor faz uma fantástica interpretação de “Cândido e o Otimismo”. Analisa Palmares como a utopia dos escravos e Canudos como uma utopia sertaneja. Elder Rocha Lima referencia dois momentos históricos pouco explorados pela nossa historiografia: A Côlonia Cecília, criada no interior do Paraná pelo anarquista italiano Giovanni Rossi - agrônomo, musicista e escritor - autor de um opúsculo, “II Commune in Riva al Mare”, durante o Segundo Reinado, inclusive, com o incentivo, beneplácito e ajuda  de Pedro II, rendido aos encantos da obra de Rossi. A outra, a República dos Guaranis, 25 páginas de extensa pesquisa sobre o que considera ser “um dos capítulos mais gloriosos, instigantes e generosos da história do Brasil”. Sobre as Reduções o autor deixa na p. 88, uma visão lúcida, histórica, sociológica e antropológica de Darcy Ribeiro: “Essas utopias se opunham tão cruelmente ao projeto colonial que a guerra se instalou prontamente entre colonos e sacerdotes. De um lado, o colono, querendo por os braços índios a produzir o que os enricasse, ajudados por mundanos curas regulares dispostos a sacramentar a cidade terrena, dando a Deus o que é de Deus e ao rei o que ele reclamava. Foi um desastre, mesmo onde as missões se implantaram produtivas e até rentáveis para a própria Coroa - como ocorreu com as de Sete Povos, no Sul, e ao norte na missão tardia da Amazônia - prevaleceu a vontade do colono, que via nos índios a força de trabalho de que necessitava para prosperar”. Um livro didático no discurso e triste na historiografia prática pelo alto custo pago por aqueles que acreditaram numa possibilidade alternativa para a vida.


Luiz Humberto Carrião