24 de maio de 2014

CALEIDOSCÓPIO / Sebastião Lázaro Henriques: - Editora Kelps, 1995.

CADEIDOSCÓPIO / Sebastião Lázaro Henriques: - Editora Kelps, 1995.

Poetar é colocar para fora as angustias, desditas, amores, menos prazeres e mais dores. Poetar é falar dor alheia como se fosse sua. Poetar é brincar com as letras na construção de palavras, destas na construção de frases adornadas de rimas e aliterações. Poetizar é tratar com sensibilidade, leveza, carícia e delicadeza as coisas do mundo.  Na coletânea de poemas que compõe a obra o autor poetou ao tempo em que poetizou. No momento em que esse gênero literário vai se distanciando abrindo espaços outras categorias, nos enche de prazer encontrar alguém que procura fazer das rimas e versos o seu escrevinhar. O livro me chegou por acaso através de uma participante do Congresso das APAES realizado neste ano de 2014. Livro lido num só fôlego como diziam os antigos. Uma pequena mostra do poeta.

FOME

Eu não sei dizer exatamente
A nascente do meu estranho nome
Talvez prá me fazer diferente
Ou talvez, prevendo a minha fome!

Sou Zé Faminto da Silva e Oliveira
Nascido e criado ao norte de “Fartura”
E o engraçado é que a desgraça certeira
Era á única abundante nessa terra dura.

Casei, vieram filhos, filhos e filhos mais
Rosa, Violeta, Rosinha e Margarida
Tantas flores a viver seus finais
Na falta de pão, de esperança e de vida!

E se foi a primeira, a segunda, a terceira
A cantar com a morte a toada da partida
Fiquei só, a esperar a foice ligeira
Do fim, e a agonia de se fazer mais sentida.

Eis que então tomei de meu meio, único, final.
E matei a fada da miséria em meu magro peito
A você que lê meu escrito, não me julgue mal
Eu me fui, somente por não haver mais jeito.

Peçam perdão, por mim, junto aos meus
Fui forte, excedi a força dos Homens
Mas cansei, fui me encontrar com Deus

Assino e me desculpo, Zé Faminto – Agora sem fome!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário