A Morte - Maurice Maeterlinck (1862 - 1949), escritor belga, único em sua nacionalidade a receber um Nobel de Literatura (1911), vem a um século atrás (1913) promover um debate sobre esse tema provocante em cientistas, filósofos, teólogos sem uma conclusão definitiva. Maeterlinck não acreditava em Deus, o que de certa forma deixa-o isento de qualquer influência religiosa, embora seja oriundo de uma família católica conservadora. Poeta, teatrólogo, ficcionista, ensaísta, chama a atenção por suas posições que os humanos deveriam preocupar-se com a vida, esta sim, e que tem sentido e não a morte - única certeza na vida e além de tudo - uma desconhecida. Faz uma observação de que quanto mais avançada a ciência, mais sofrimento ao ser humano pelo prolongar da vida sem qualidade. Diz da consciência médica no sentido de dar ao humano a eutanásia evitando sofrimentos horríveis a espera de um achado da ciência. Considera a reencarnação como a mais plausível e racional das teorias religiosas ao tempo em que reconhece não haver uma prova tácita. Limita-se essa teoria, segundo o autor, em afirmações que flutuam no espaço, chegando a ser duro ao asseverar que "apoia apenas por argumentos sentimentais". Mas admite, "E, seja qual for a força que nos sobreviva e presida à nossa existência no outro mundo, essa existência, ainda que a suponhamos pior, não poderia ser menos vasta nem menos feliz que a existência de hoje. Não terá outro curso, senão o infinito; e o infinito não é nada, se não é a felicidade".

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